domingo, 15 de junho de 2008

Memorial

Nasci no dia 30 de Setembro de 1979, no hospital Evangélico, no bairro de Brotas. Passei boa parte da minha infância sendo cuidado por minha avó materna, Armanda, com quem sou muito apegado. Costumo visita-lá todos os finais de semana, e antes do almoço, ela sempre pede uma taça de vinho e eu atendo a sua vontade. Hoje, com o Mal de Alzheimer ela já não está tão lúcida como antigamente, mas o engraçado é que ela sempre relata fatos da minha infância.

Iniciei minha vida acadêmica no colégio Biscaia, situado no bairro onde residia, São Caetano. Lá estudei do maternal à 4a série. Lembro da minha professora Carminha com quem aprendi os primeiros passos para ler e escrever, a melhor parte era volta para casa na condução onde eu e os meus colegas sempre fazíamos a maior bagunça. A partir da 5a série, eu fui estudar no bairro de Nazaré na escola Angelina de Assis, relativamente longe de onde morava; foi quando comecei a pegar condução. Eu adorava esta escola, principalmente na hora de matar aula para jogar, esse realmente foi um dos principais motivos pelo qual fui reprovado. Esse acontecimento com certeza foi uma lição de vida. Nos anos seguintes nem sonhava com bola no horário da escola. Decidi me esforçar em dobro e no ano posterior, assim sendo passei de ano e ainda ganhei minha tão sonhada prancha de surfe.

Em 1994, fui estudar na Escola de Engenharia Eletromecânica da Bahia; foi nessa época que percebi minha vocação para área das ciências exatas, adorava matemática e física, acho que isso influenciou na escolha da minha atual carreira. Nessa época, obtive tanto êxito na escola, que consegui meu primeiro emprego, na Prontec, uma empresa do ramo de informática. Nesta empresa trabalhava com manutenção de computadores; o que ganhava dava apenas para suprir minhas necessidades supérfluas. Ainda na Escola de Engenharia fiz grandes amigos, tais como Miguel, “Gagau”, Mário e Jordan. Infelizmente, hoje só tenho um pequeno contato com Mário.

Após ter finalizado o 2º grau Técnico em Eletrônica, fui prestar vestibular para Engenharia Elétrica, em Maceió no CESMAC. Morei lá uns sete meses em uma casa universitária com outros estudantes de várias regiões do país. Felizmente, tinha um primo que já fazia faculdade lá e me dava à maior força, mas ainda muito imaturo, larguei faculdade e voltei para Salvador. Sei que deveria ter ficado e terminado o curso, mas a saudade falou mais alto. Para meus pais isso foi uma burrice, hoje sei que eles tinham razão.

De volta a Salvador, fiz vestibular para processamento de dados, na Faculdade Ruy Barbosa, de 1998 a 2004. Nos primeiros semestre, percebi que tinha vocação para área de tecnologia, adorava as matérias relacionadas à linguagem de programação, tive ótimos professores com os quais aprendi como solucionar problemas através de conceitos e técnicas da computação. Logo no início da faculdade, comecei a trabalhar como estagiário em uma empresa de desenvolvimento de sites e sistemas, logo surgiu a oportunidade de me tornar Analista de Sistemas na Unitech no ano de 2001. Lá, cresci profissionalmente, fiz grandes amizades e me destaquei entre os profissionais.

Em 2005, achei que estava hora de pensar em meu futuro e encarar novos desafios. Foi então que em abril deste mesmo ano, resolvi pedir demissão e viajar para aprender inglês, além de adquirir uma nova experiência em outro país, estaria longe da minha família como em Maceió, mas já me sentia maduro o suficiente para tal façanha. Então, pensei em vários destinos e decidi ir para Austrália. Meus pais gostaram da idéia, tive incentivo e apoio financeiro. Na mesma semana, dei entrada nos papéis, reuni os amigos mais chegados e organizei uma despedida. Muitas foram às palavras de carinho, de apoio, isso me fortalecia.

Foi tudo muito corrido, mas tinha fome de aprender, conhecer novas culturas e pessoas, etc. Consegui e fui morar na maior cidade da Austrália, Sydney; estava em um país diferente, com desconhecidos e sem o domínio da língua inglesa e isso era o que me dava mais entusiasmo de superar e ter sucesso nesse novo desafio. Depois de um tempo, estava me comunicando e aprendendo a levar a vida sozinho, acordava cedo ia para o Holmes College, escola de idiomas para estrangeiros. Neste mesmo ano, fiz coisas que até então nunca tinha feito em meu País: pratiquei esportes radicais, tais como, rafeting, snowboarding e mergulho; conheci várias cidades ao redor de Sydney, além de aprender a lidar com pessoas de diferentes culturas e ideais. Nos meses em que morei na Austrália aprendi muito, principalmente que os amigos verdadeiros estão sempre dispostos a ajudar.

Quando voltei ao Brasil, em fevereiro de 2006 no frisson do Carnaval, ao invés de sair e curtir a badalação, estava traçando um outra meta e decidi me pós graduar na área de Tecnologia da Informação, matriculando-me na mesma faculdade em que me graduei, a Ruy Barbosa. Ao longo dos anos fui ganhando experiência na área, fui me aperfeiçoando e atendendo a todas às necessidades no meu atual emprego. Mas ainda não estou completo, preciso realizar um antigo sonho do meu pai e no fundo meu também, que é atuar na área de engenharia civil. Ainda é cedo para dizer se vou abandonar minha carreira na área de TI para atuar na área de engenharia. Atualmente, me sinto feliz e estou tendo um bom desempenho no curso, apesar de dar prioridade aos estudos na área de tecnologia e no meu trabalho. Hoje, penso no curso como uma forma de abrir meus horizontes para novos conhecimentos e quem sabe no futuro ser um grande engenheiro ou até mesmo, utilizar os conhecimentos das duas áreas, para me tornar um gestor numa grande organização ou então ser dono do meu próprio negócio. Mas, isso são planos futuros que ainda precisam ser amadurecidos com o decorrer dos próximos anos.

À volta a universidade me fez abdicar de várias outras atividades, como por exemplo, a prática esportes. Sou uma pessoa que sempre gostei de fazer tudo da melhor forma possível, sou perfeccionista e sei que isso é uma má qualidade, mas venho tentando superar. Estou disposto a assimilar o máximo de conhecimentos nessa nova área, além de dar orgulho às pessoas que me apóiam, também me sinto orgulhoso por saber que sou capaz de aceitar novos desafios e fazê-los com qualidade e empenho.

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